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23 maio 2015

Memorial do Convento








Alguns dos autores dos trabalhos áudio sobre o Memorial
Para ouvir consulte os "posts" do dia 18 maio!

18 maio 2015

Memória

Memória descritiva| 
Os trabalhos publicados e a publicar proximamente sobre Memorial do Convento resultam da gravação áudio (mp3) dos trabalhos de grupo, com base nos temas de análise e de exposição oral, realizados e apresentados em contexto aula, na 1ª quinzena de maio. O objetivo é permitir aos alunos das duas turmas partilhar e ouvir sínteses sobre temas relevantes da obra e, assim, rever e aprofundar o conhecimento sobre o romance.
Os ficheiros áudio foram convertidos para imagem apenas para permitir reprodução no blogue.

MC - visão global da sociedade da 1ª metade do século XVIII




Mais um trabalho áudio sobre Memorial do Convento.

Autores: Beatriz Marçal, Beatriz Massena, João Dias e Luís Sousa|12ºC

MC-amor e casamento


Mais uma gravação de trabalho. Para ouvir com atenção.

Memorial-os contrastes sociais


Memorial | A religião


Mais uma gravação do 12º C sobre Memorial do Convento
Tema - A Religião

Magia,Religião e Ciência em Memorial do Convento

Segue o áudio do trabalho de análise dos temas magia, religião e ciência, em Memorial do Convento, do grupo do Eduardo Sousa.

15 maio 2015

 
Já todos mandaram as gravações sobre as leituras temáticas de Memorial? mp3, certo?


Não esqueçam nunca - a única maneira de homenagear os escritores ... é lê-los! 

O resto, passa, embora a memória possa resgatar esses momentos. 
 

 José Saramago em Torres Vedras, no lançamento de A Caverna
em 21 de novembro de 2000, na Livraria Livro do Dia

Memorial no exame


Livros de José Saramago (edições em várias línguas)
Imagens N.Santos, na Exposição no Palácio da Ajuda


Exercício de treino - 2010, 2ª fase (correção/cenários de resposta)

Atenção: a pontuação diz respeito apenas à análise de conteúdo. A expressão escrita é cotada à parte.
A
1. ...................................................................... 15 pontos
.......................................................................... 3 pontos

Níveis de desempenho
Descritores Pontuação

nível 4
Descreve, com pertinência, o comportamento de Scarlatti imediatamente antes de
ser iniciado no «segredo», fundamentando a descrição em três citações.
9pontos

3
Descreve, com pertinência, o comportamento de Scarlatti imediatamente antes de
ser iniciado no «segredo», fundamentando a descrição em duas citações.
OU
Descreve, com ligeiras ou esporádicas imprecisões, o comportamento de Scarlatti
imediatamente antes de ser iniciado no «segredo», fundamentando a descrição
em três citações.
7 pontos

2
Descreve, com pertinência, o comportamento de Scarlatti imediatamente antes de
ser iniciado no «segredo», fundamentando a descrição em uma citação.
OU
Descreve, com ligeiras ou esporádicas imprecisões, o comportamento de Scarlatti
imediatamente antes de ser iniciado no «segredo», fundamentando a descrição
em duas citações.
5pontos

1
Descreve, com pertinência, o comportamento de Scarlatti imediatamente antes de
ser iniciado no «segredo», sem apresentar citações.
OU
Descreve, com ligeiras e esporádicas imprecisões, o comportamento de Scarlatti
imediatamente antes de ser iniciado no «segredo», fundamentando a descrição
em uma citação.
OU
Descreve, com acentuadas imprecisões, o comportamento de Scarlatti
imediatamente antes de ser iniciado no «segredo», fundamentando a descrição
em, pelo menos, duas citações.
3 pontos


Cenário de resposta
A resposta deve descrever o comportamento de Scarlatti imediatamente antes de ser iniciado no
«segredo» e incluir as citações que se apresentam.
• No momento em que vai ser iniciado no «segredo», Scarlatti mostra-se:
– indiferente – «Não parecia curioso» (linha 1);
– calmo – «olhava tranquilo» (linha 2), «Sem precipitação, tão tranquilamente como antes estivera
olhando as andorinhas» (linhas 10 e 11);
– cúmplice – «disse, sorrindo, e o músico respondeu, em tom igual» (linha 5).


2. .............................................. 15 pontos

Níveis de desempenho
Descritores Pontuação

4 Interpreta, com pertinência e rigor, a resposta do músico. 9 pontos
3 Interpreta, com pertinência, a resposta do músico. 7
2 Interpreta, com ligeiras ou esporádicas imprecisões, a resposta do músico. 5
1 Interpreta, com acentuadas imprecisões, a resposta do músico. 3


Cenário de resposta
A resposta do examinando deve conter uma das interpretações a seguir propostas, ou outra considerada
adequada.
Scarlatti dá a entender que nem sempre o «segredo» chega a ser desvendado, uma vez que:
– pode ter de se procurar a chave do «segredo» numa esfera mais profunda do que a que é apreendida pelos sentidos, situada para além do domínio do racional;
– pode esse «segredo» corresponder a alguma coisa de obscuro que não é traduzível por palavras;
– pode esse «segredo» ser insondável, isto é, não ter solução.

3. ............................................................ 20 pontos

Descritores Pontuação
4
Explica, com pertinência, como cada uma das duas personagens encara a
passarola, documentando a resposta com uma citação textual adequada a cada
um dos pontos de vista.
12 pontos

3
Explica, com ligeiras ou esporádicas imprecisões, como cada uma das duas
personagens encara a passarola, documentando a resposta com uma citação
textual adequada a cada um dos pontos de vista.
OU
Explica, com pertinência, como cada uma das duas personagens encara a
passarola, documentando a resposta apenas com uma citação textual adequada
a um dos pontos de vista.
9 pontos

2
Explica, com pertinência, como cada uma das duas personagens encara a
passarola e não documenta a resposta com citações textuais adequadas.
OU
Explica, com ligeiras e esporádicas imprecisões, como cada uma das duas
personagens encara a passarola, documentando a resposta apenas com, pelo
menos, uma citação textual adequada a um dos pontos de vista.
OU
Explica, com pertinência, como uma das personagens encara a passarola,
documentando a resposta apenas com uma citação textual adequada.
6 pontos

1
Explica, com imprecisão, como cada uma das personagens encara a passarola,
e não documenta a resposta com citações textuais adequadas.
OU
Explica, com acentuadas imprecisões, como cada uma das personagens encara
a passarola, documentando a resposta com uma ou duas citações textuais
adequadas.
3 pontos

Cenário de resposta
A resposta deve contemplar os aspectos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.
– Domenico Scarlatti, músico conceituado, trata a passarola como um instrumento musical, fazendo-a vibrar ao colocar sobre uma das asas as suas mãos, e revela uma atitude racional, fazendo o voo da máquina depender de uma força que a conseguisse elevar e constatando, com algum cepticismo, que as asas da máquina, estando fixas, não podiam bater («pousou as mãos numa das asas como se ela fosse um teclado, e, singularmente, toda a ave vibrou apesar do seu grande peso» – linhas 19 e 20;
«se houver forças que façam levantar isto, então ao homem nada é impossível» – linhas 21 e 22).
– Baltasar Sete-Sóis, o obreiro «enfarruscado da forja» (linha 17), encara a passarola como produto de um trabalho esforçado e acredita na possibilidade de concretizar o sonho («em todo ele só brilhava o gancho, do muito e constante trabalho» – linhas 17 e 18; «basta ter forma de ave para voar» –
linha 23).


4. ........................................................................ 20 pontos

Cenário de resposta
A resposta deve conter dois dos seguintes excertos do texto, ou outros considerados relevantes, seguidos da explicitação da intenção que pode estar subjacente a esses comentários.



Explicitação da intenção que pode estar subjacente aos comentários
• «perdoemos-lhe a óbvia comparação clássica»
(linhas 32 e 33)
– Constatação irónica da comparação estereotipada de
Scarlatti.
OU
– Valorização dos humanos (Baltasar e Blimunda)
nessa aproximação aos deuses.
OU
– Manifestação de simpatia por Baltasar e Blimunda.
• «sabe ele lá como é o corpo de Blimunda debaixo das roupas grosseiras que veste» (linhas 33 e 34)
– Crítica a Scarlatti, que se pronuncia sobre um assunto que desconhece.
OU
– Elogio à beleza de Blimunda.


• «Baltasar não é apenas o tição negro que parece,
além de não ser coxo como foi Vulcano, maneta sim,
mas isso também Deus é.» (linhas 34 e 35)

– Valorização da condição de Baltasar em relação a
Vulcano, por não ser coxo e ter o amor incondicional
da sua amada Blimunda.

• «Sem falar que a Vénus cantariam todos os galos do
mundo se tivesse os olhos que Blimunda tem»
(linhas 35 e 36)

– Magnificação dos dotes de Blimunda, possuidora de
um dom especial.

• «sobre Vulcano também Baltasar ganha, porque se o
deus perdeu a deusa, este homem não perderá a
mulher.» (linhas 37 a 39)

– Afirmação da fidelidade e do amor entre Baltasar e
Blimunda.

14 maio 2015

Episódio da epopeia da pedra

René Margritte


O capítulo XIX é consagrado ao transporte de uma enorme pedra de Pero Pinheiro para Mafra (na distância de 15 km), que se prolonga por oito dias. 
 
O narrador faz sobressair o esforço e a determinação do povo, elevando-o a verdadeiro herói da obra, resgatando-o do anonimato. 
 
O povo é o herói coletivo que, sacrificado, mal nutrido e miserável, alcança uma dimensão trágica - porque cumpe um terrível destino que não escolheu - e se eleva acima da condição de «bicho da terra».
 
A gente que transportou esta pedra - e todas as outras pedras - e construiu o convento é o povo anónimo que é arrebanhado e trabalha e sofre às ordens de el-rei, não só para que este possa cumprir a sua promessa mas igualmente como estratégia de afirmação política da sua grandeza e importância. 
 
É um povo miserável, simples e trabalhador, a quem o narrador-autor pretende tirar do anonimato, dando individualidade a várias personagens e também atribuindo-lhe, simbolicamente, um nome para cada letra do alfabeto, numa vontade de o tornar imortal - na memória -  e de o incluir na História de Portugal: «…Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino…». (pág. 244)
 
A descrição do transporte da mãe pedra no carro designado por «nau da Índia com rodas» revela as enormes dificuldades da viagem, misturando um tom simultaneamente emocional e humorístico do narrador: 
 
«…vão aqui seiscentos homens que não fizeram nenhum filho à rainha e eles é que pagam o voto, que se lixam, com perdão da anacrónica voz».



Elementos complementares da análise linguística 
(Ver livro e Manual)

Discurso direto
"É a pedra, (...) Nunca vi uma coisa assim em dias da minha vida" - linha 4;
"É a mãe da pedra" - linha 27
....
O discursos direto é sempre um recurso de aproximação do leitor ao narrado, neste caso para "garantir" a veracidade, o caráter testemunhal que o narrador atesta no início.
Neste caso, os comentários dos homens, em discurso direto,  dão conta da enormidade da pedra e do espanto que isso causa.

A observação - É a mãe da pedra - tem óbvio significado simbólico (ver texto)

Expressevidade dos nomes e adjetivos
"Enorme, uma brutidão de mármore rugoso" - l. 10
"Mãe gigantesca" - l. 29 (importante a simbologia do nome e o adjetivo)


Deíticos temporais "Como ouvimos agora (...) neste instante (l. 12)
Inserem-se no propósito testemunhal, na descrição vívida de «como realmente se passou», tal como os deíticos relativos ao espaço.

Deíticos espaciais "É aqui que virá acostar" - l. 22 "Lá em Mafra" - l. 32


Comentários do narrador
- dão elementos para a compreensão da metáfora da pedra


Enumeração - dimensões da pedra

Neste episódio também é muito revelador:
- a descrição das tarefas, do esforço físico dos homens - o que também revela a dimensão da pedra
- o recursos a interjeições/onomatopoeias 



R. Margritte

13 maio 2015

Memorial - renovação formal e marcas de estilo


Em complemento às informações do Manual e das incluídas no PPT de síntese da matéria, reforço a informação.


[A sua escrita é peculiar] Peculiar porquê? Porque é usada de uma forma não canónica (apesar de o autor fazer parte do cânone literário): falta no texto o travessão para identificar o interlocutor no diálogo e o início das falas de cada personagem é assinalado por uma capitular. Também aqui se vê a frase característica da escrita de Saramago, uma frase quase sem pontos finais e cadenciada na pausa das vírgulas.
(...)
Abre o dactiloscrito emendado pelo punho de Saramago, à esquerda.
O Nobel português, na sua obra, inventa factos, mistura o maravilhoso com o empírico, o conhecimento do presente com o reconhecimento ou novas versões do passado, diz, por seu lado, Manuel Gusmão. O modo como "joga ironicamente a ficção contra o relato histórico" e "mostra como uma tradição e história dos pobres, dos explorados, oprimidos e vencidos se pode construir contra a história dos vencedores" também o distingue.

Para a professora catedrática Maria Alzira Seixo, a sua inovação no romance consegue ser ao mesmo tempo "erudita e popular". É erudita porque "tem bases historiográficas sólidas", quer nos livros sobre eventos do passado quer nos romances onde procedeu a investigações pessoais ou onde elabora conjecturas para a compreensão de uma época ou de uma figura. E é popular "pois inventa uma expressão oralizada, que tem a ver com o saber tradicional comunitário (como em Levantado do Chão), criando a sua frase característica, quase sem pontos finais e cadenciada na pausa das vírgulas", explica.

Era como narrador oral que Saramago se via quando escrevia e inovou na maneira como utilizava o ponto final e a vírgula (ele chamava-lhe "os sinais de pausa") dando à frase um outro ritmo dado pela oralidade.

O escritor "usa pontuação, mas reinventa-a de acordo com um outro ritmo prosódico, que é o da oralidade de quem fala a língua", afirma Carlos Reis e redescobre sentidos ocultos nas palavras.

É inovador o tipo de frase que veio a caraterizar o escritor onde se pode "encontrar o narrador a dialogar com uma ou mais personagens, ou duas personagens que dialogam", diz Manuel Gusmão.
Isabel Coutinho, O escritor que revolucionou com a sua escrita                           




Caraterísticas relevantes da escrita de Saramago:
- A rutura com as regras da pontuação, pela introdução do discurso directo sem utilizar os sinais gráficos convencionais (dois pontos, travessão, ponto de interrogação)


Utilização da vírgula para as pausas breves e longas, neste caso substituindo o ponto final, sendo seguida de maiúscula, sempre que é necessário desfazer ambiguidades;


- A utilização de expressões populares (como elas são ou alteradas):

            - “o sol quando nasce é para todos” (cap. III, p. 27) e de provérbios;

algumas vezes faz uma truncagem propositada dessas expressões, em geral, de sentido crítico; ex: 
           - “fazer o bem olhando a quem” (cap. XXVII, p. 223);

- A intertextualidade com:

          - Os Lusíadas, de Luís de Camões,
          - Padre António Vieira
          - Fernando Pessoa, ....

- A ironia, a sátira e linguagem depreciativa e humorística:

        - “se este rei não se acautela acaba santo” (cap. XXI, p. 282), “ da pocilga que é Lisboa”, “ a cidade é imunda, alcatifada de excrementos, de lixo, de cães lazarentos e gatos vadios” (cap. III, p. 28);

Outros recursos estilísticos recorrentes:

Antítese 

“A obra é longa, a vida é curta.” (cap. XXI, p. 281);

Metáfora 

“O cântaro está à espera da fonte” (cap. I, p. 13), “Mas esta cidade (...) é uma boca que mastiga” (cap. III, p. 27);

Eufemismo 
“que ele próprio poderá amanhã fechar os olhos para todo o sempre.” (cap. XXI, p. 288);

Adjetivação
“aqui vou blasfema, herética, temerária, amordaçada” (cap. V, p. 53);
Enumeração
“cordas panos, arames, ferros confundidos” (cap. IX, p. 95);
Repetição anafórica - “é o que dizem... é o que dizem... é o que dizem... é o que dizem... ” (cap. XVI, p. 194);


Trocadilho
“o côncavo meu no teu convexo, no meu convexo o teu côncavo, é o mesmo que homem e mulher...” (cap. XVI, 201);


06 maio 2015

O narrador de Memorial


Ninguém melhor que o próprio autor para falar do que fez, como fez e por quê.

Lê, pois, o texto de José Saramago:

Conhecemos o narrador que se comporta de um modo imparcial, que vai dizendo escrupulosamente o que acontece, conservando sempre a sua própria subjectividade fora dos conflitos de que é espectador. Mas há um outro tipo de narrador, mais complexo, que não tem uma voz única: é um narrador substituível, um narrador que o leitor vai reconhecendo como constante ao longo da narrativa, mas que algumas vezes lhe causará a estranha impressão de ser outro. Digo “outro”, porque ele se colocou num diferente ponto de vista do primeiro narrador. O narrador será também inesperadamente um narrador que se assume como pessoa colectiva. Será igualmente uma voz que não se sabe de onde vem e que se recusa a dizer quem é, ou usa de uma arte maquiavélica que leve o leitor a sentir-se identificado com ele, a ser, de algum modo, ele. E pode finalmente, mas de um modo não explícito, ser a voz do próprio autor, dado que o autor, capaz de fabricar todos os narradores que entender, porquanto ele sabe, e não o esquece nunca, tudo quanto tiver acontecido depois da vida delas [as personagens].

José Saramago, (1999) IN Jornal de Letras

Narrador

Focalização:
Omnisciente
- possui um conhecimento absoluto, tanto sobre as personagens, como sobre os eventos, os sonhos, os desejos…;
- —move-se no presente, no passado e, consequentemente, no futuro.
É como um deus na narrativa: tudo vê e tudo sabe.
 
Exemplo (antecipação e comentários):
" (...) nesta terra de Mafra não há pátios de comédias, não há cantarinas nem representantes, ópera só em Lisboa, para vir o cinema ainda faltam duzentos anos, quando houver passarolas a motor, muito custa o tempo a passar, até que chegue a felicidade, olá."

Interna
a voz plural, polifónica do narrador revela-se quando adota o ponto de vista de uma personagem que vive a história, por ex: Sebastiana Maria de Jesus, no auto-de-fé.

Externa - quando se limita a contar o que vê.
O narrador de Memorial tem amiúde uma posição interventiva, claramente subjetiva:
-      quando  tece juízos, opiniões e comentários
-      quando  ironiza no tratamento das personagens (D. João V, por ex.)
-      quando  recorre com frequência à técnica do contraste (ex. início cap. III)
-      quando usa registos de língua ou marcas da contemporaneidade

Estas últimas estão, amiúde, associadas à ironia :
-      o nome do próprio Saramago
-      a moda do bronzeado
-      os cravos do 25 de abril
-      a existência do cinema como entretenimento
-      o parto sem dor
-      as cores vermelho e verde da bandeira da república portuguesa

Estatuto do narrador:
É heterodiegético, na maior parte da obra (não participa na diegese)
É homodiegético, com a intenção de captar a atenção do narratário que se sente participante, por ex. em:

"Já lá vai pelo mar fora o Padre Bartolomeu Lourenço, e nós que iremos fazer agora, sem a próxima esperança do céu, pois vamos às touradas que é bem bom divertimento|
  
Nestas ocasiões, o narrador cede a sua voz narrativa a outros narradores, como é, por exemplo, o caso de Manuel Milho, tornando-se assim homodiegético.
– Por vezes torna-se autodiegético, quando representa um pensamento (não confundir com os diálogos) de uma personagem:

"e aquele monstro de pedra a resvalar quando devia estar arado, imóvel quando deveria mexer-se, amaldiçoado seja tu, mais quem da terra te mandou tirar e a nós arrastar por estes ermos.”

05 maio 2015

Ciência+Tecnologia. 3ª sessão do Ciências da Língua

30 DE ABRIL, 5ª FEIRA, 3ª SESSÃO 

Hora: 14h30-15h30 

Professor Doutor Joaquim Ferreira – Neurologista. Professor de Neurologia e de Farmacologia Clínica, Diretor do Laboratório de Farmacologia Clínica/Fac. Medicina; responsável pela Unidade de Farmacologia Clínica do Instituto de Medicina Molecular. Clínico no Centro Neurológico Sénior| Mecanismos neurológicos da linguagem

Eng.º Frederico Faria de Freitas – Engenheiro Informático e mestre em em Multimédia-Inteligência Artificial, pela Univ. de Lisboa, IST. Investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento|Dialogando com Computadores