Total visualizações

19 junho 2012

Exame

Olá, a todos!

Espero que tenha corrido bem e não tenha havido tempestade - a não ser de ideias:
  • não houve supresas quanto às matérias dos grupos I e I B - a matéria que privilegiámos nas revisões e um dos temas que mais treinámos e que temos no blogue;
  • a gramática era a prevista, com uma frase muito semelhante à dos nossos penúltimo e último exercício (conforme as turmas) 
  • a III tinha um tema atual, com relação com a parte I, se quisessem.
Apenas a 4. do Grupo I (que era justamente a de linguagem mais complexa e que completava a ideia dos 4 últimos versos da estrofe anterior), bem como o texto do grupo II pode ter causado alguma perturbação (nas 4 primeiras) por conter passagens num português menos acessível. Mas isso...

Creio que quem estudou ao longo do ano e fez as revisões, não tem muito a temer (exceto os que têm problemas de escrita, que ficam sempre muito dependentes do resto).

Boa sorte e cabeça fresca para os restantes exames.


 
Cá vai correção:

A
1.
......................................................................................................................... 20 pontos


Critérios específicos de classificação
Aspetos de conteúdo (C) ..................................................................................... 12 pontos


Cenário de resposta


A resposta pode contemplar quatro dos tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados

relevantes.

Os «que são de fama amigos» evidenciam, entre outras, as

qualidades seguintes:


– determinação – «Mas com buscar, co seu forçoso braço» (v. 17);

– esforço – «forçoso braço» (v. 17);

– combatividade – «Vigiando e vestindo o forjado aço» (v. 19);

– coragem – «Vigiando e vestindo o forjado aço» (v. 19);

– resistência – «Sofrendo tempestades e ondas cruas» (v. 20); «Vencendo os torpes frios no regaço / Do

Sul, e regiões de abrigo nuas» (vv. 21 e 22);

– abnegação – «Engolindo o corrupto mantimento / Temperado com árduo sofrimento» (vv. 23 e 24);

– firmeza – «E com forçar o rosto, que se enfia, / A parecer seguro» (vv. 25 e 26).


*

Vide Fatores de desvalorização, no domínio da correção linguística, dos itens de construção – resposta restrita e

resposta extensa (p. C/5).





2.

Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística (F) .......................... 8 pontos

Estruturação do discurso .................................................................. 4 pontos
Correção linguística*.......................................................... 4 pontos


Cenário de resposta
A resposta pode contemplar os tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.

Nos versos de 5 a 16, o poeta desvaloriza, por oposição aos «que são de fama amigos», aqueles que:

– vivem à sombra da glória dos antepassados (vv. 5 e 6);

– se entregam ao prazer, ao luxo, à avidez e à preguiça (vv. 7 a 12);

– não resistem ao vício (vv. 13 a 16).

O uso da anáfora reforça esta intenção crítica, ao sublinhar, pela repetição da negativa, aquilo que deve

ser rejeitado – «Não encostados…» (v. 5); «Não nos leitos…» ( v. 7); «Não cos manjares…» (v. 9); «Não

cos passeios…» (v. 10); «Não cos vários…» (v. 11); «Não cos nunca…» (v. 13).



3.

Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística (F) .......................... 6 pontos

Estruturação do discurso .................................................................. 3 pontos

Correção linguística*
3........................................................................ 3 pontos

Cenário de resposta
A resposta pode contemplar os aspetos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.

O poeta defende que os verdadeiros heróis são aqueles que adquirem uma capacidade de resistência e
um sentido da honra que os faz desprezar as recompensas e os privilégios imerecidos.


4.
Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística (F) .......................... 12 pontos

Estruturação do discurso ..................................................................
7 pontos
Correção linguística*............................................................... 5 pontos
Cenário de resposta

A resposta pode contemplar os tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.
Na última estrofe, o herói é caracterizado como aquele que:
– adquiriu serenidade com a experiência – «repousado» (v. 34) –, pelo que se distancia do homem
comum – «embaraçado» (v. 36);
– ascende a um «alto assento» (v. 35), de onde observa, com distância, os comuns mortais – «O baxo
trato humano» (v. 36);
– se tornará ilustre por merecimento e não por cálculo (vv. 39 e 40);
– será reconhecido, nos territórios onde as leis forem justas, como alguém capaz de governar
(vv. 37 a 39).




GRUPO II



Chave

Item /Versão 1 /Versão 2/ Pontuação

1.1. (C) (D)

5


1.2. (B) (A)

5


1.3. (D) (C)

5


1.4. (A) (B)

5


1.5. (C) (B)

5


1.6. (A) (C)

5


1.7. (B) (D)

5


2.1.

(Oração) subordinada (substantiva) completiva 5


2.2.

Predicativo do sujeito 5

2.3. (d)a versão em castelhano 5



INFORMAÇÃO COMPLETA EM http://cdn.gave.min-edu.pt/files/451/Portugues639_CC1_12.pdf

13 junho 2012

Texto crítico/de opinião



O destino da pátria
por VASCO GRAÇA MOURA

 O país está afundado numa crise económica e financeira para que não se vê saída próxima, mas (…) [num] clima de fuga à realidade e amplificações ensurdecedoras (…) [temos o ] Euro 2012. Agora, não faltará o singular empenhamento da comunicação social, engendrando expectativas desmesuradas de triunfo e criando em todas as almas verdadeiramente lusitanas o frisson patriótico daquelas manhãs de nevoeiro em que uma redenção colectiva nos há-de chegar pela biqueira ágil dos craques, pondo termo às nossas angústias.

De cada vez que há um campeonato destes, seja ele da Europa ou do mundo, é assim. Na rádio, na televisão, nos jornais, nos blogues, nas redes sociais, esse desmedido desassossego futebolístico em tempo de crise tem ocupado mais tempo e requerido mais atenção do que qualquer dos magnos problemas do país.

Investe-se conscientemente num jogo de ilusões e panaceias. Gastam-se rios de dinheiro em reportagens e em verbosas retóricas publicitárias que se proclamam apostadas em mobilizar o melhor das energias colectivas em torno de um objectivo de vitória, num trejeito impagável e convicto, como se estivesse em jogo a própria sobrevivência nacional.
Nos jornais, e sobretudo na televisão e na rádio, concentram-se todos os esforços numa cobertura noticiosa que é verdadeiramente maníaca na sua maneira de perder tempo e despender meios, obstinando-se em coisas sem importância nenhuma.”

- 218 palavras -
Fonte: DN, disponível em http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2605835&seccao=Vasco Gra%E7a Moura&tag=Opini%E3o - Em Foco, consultado em 13 de junho de 2012.


Como veem, não é preciso encher o texto de opinião de expressões como
«Na minha opinião», «penso que» e, menos ainda, de «acho que»!!!
Quem tem opiniões a dizer - diz e defende-as! Não precisa de anunciar.
O importante é definir claramente o assunto e a opinião, sustentada em argumentos.




Grupo III - tema de desenvolvimento (ex.)

O mar não é só passado, é o desafio do futuro
"Dos navegadores portugueses, Fernão de Magalhães é aquele que teve direito a dar nome a uma galáxia. Faz sentido, ele próprio avistou por volta de 1519 essa Nuvem de Magalhães quando navegava no hemisfério sul. E nos séculos XV e XVI os oceanos eram um desafio tão grande como hoje o espaço. Pouco se conhecia, muito se temia, raros eram os que ousavam desafiar o desconhecido.
Foi o mar que nos fez grandes como país. (...) No grande museu marítimo de Hamburgo, cidade portuária alemã, são homenageados com bustos os sete grandes navegadores da história mundial: um islandês, um chinês, um italiano, um britânico...e três portugueses - Magalhães, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama. Um trio que se construiu na companhia de outros grandes como Gil Eanes, Diogo Cão, Pedro Álvares Cabral.
Riquezas foram muitas as que o mar nos trouxe. Mas se o passado marítimo foi glorioso, o futuro promete. Do turismo à pesca, da energia das marés à exploração das profundezas marítimas, há tanto por aproveitar. (…) Precisa-se agora é de gente sem medo, de empresários empreendedores, de governantes sábios. Foi assim há cinco séculos, como cantou Camões. Pode voltar a ser assim. O mar não é passado. É futuro.
Com a terceira maior zona económica exclusiva dos países da União Europeia, Portugal dispõe ainda de 1853 quilómetros de costa, repartidos pelo litoral continental e as regiões da Madeira e dos Açores. Trata-se de um património inigualável.
No contexto de dificuldades económicas que Portugal atravessa, esta situação geográfica privilegiada coloca-nos perante o desafio de encontrar formas de melhor utilizar e rentabilizar os recursos naturais. Naturalmente que este desígnio só é alcançável se houver um forte empenho, económico e político, na aposta de "regresso" ao mar."
- 298 palavras -

DN, 10 de junho de 2010, disponível em http://www.dn.pt/inicio/opiniao/editorial.aspx?content_id=2600622&page=-1, consultado em 13 de junho de 2010.

11 junho 2012

Preparação para Exame

ENCONTRO - DIA 15 DE JUNHO,
6ª FEIRA, 10H00 | ÁTRIO

Não é preciso tanto...mas há que aproveitar os próximos dias, antes do exame.

Relembro:

Encontro de preparação para exame vai servir para:

- esclarecimento de dúvidas

- reforço de algum assunto resultante da realização de provas (grupos I e III)

- explicação adicional acerca de qualquer questão das correções propostas no GAVE - para o Grupo II.



Até lá, não esqueçam - que só tem dúvidas, quem faz exercícios, quem revê as matérias, relê apontamentos ou escreve textos.

Para quem não esteve atento na altura ou já não sabe onde param, aqui deixo de novo as ligações principais que usámos:






Temas do Grupo III - Reflexão


Apresente uma reflexão sobre o assunto do excerto abaixo transcrito, relativo aos direitos das crianças em Portugal e à nossa responsabilidade social.

Escreva um texto bem estruturado, de duzentas a trezentas palavras, e fundamente o seu ponto de vista, no mínimo com dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.


 “Uma em cada quatro crianças portuguesas vive em condições de pobreza. (…) Vinte anos após a assinatura da convenção sobre os direitos da criança, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, as crianças continuam a ver-se privadas de bens e direitos essenciais. Algumas dessas crianças vivem na nossa cidade e até na nossa rua.”

Pedro Vila-Chã, Mais crianças pobres em Portugal, DN, 2009-11-21

10 junho 2012

Voto aos 16, sim ou não?

Lembram-se deste tema?

Releiam. Com base no material informativo que aqui têm, tentem
construir o texto.



Não se esqueçam de começar SEMPRE por uma rede semântica que vos aproxime do tema. Ex.

Votar, eleitor, eleição, representantes, república, democracia, Constituição, Assembleia da República, estado, cidadãos, consciência, responsabilidade, decisão, direito cívico, dever, escolha, cidadania, partidos, igualdade, política...
Voto aos 16, sim ou não?

Um dos temas importantes atualmente é o do funcionamento da democracia: se a democracia pode ser melhorada, como? Como é que se pode estimular a participação dos cidadãos? Neste contexto podemos questionar-nos sobre qual a melhor idade para iniciar o voto; o sufrágio universal é um direito conquistado em Portugal na sequência do 25 de Abril de 1974 e devemos ter a responsabilidade de continuar a defender esse direito; mais do que uma responsabilidade é um dever absoluto e sagrado.

A partir de que idade é que devemos ter obrigação de cumprir esse dever? Esta questão é fundamental, sobretudo para os mais jovens até aos 18 anos. O nosso ponto de vista é de que o voto deve ser um direito e um dever a partir dos 16 anos. Provavelmente muitas pessoas discordaram da nossa opinião, mas iremos fundamentá-la com argumentos indiscutíveis.

1º argumento:

É a partir dos 16 anos que os cidadãos adquirem um conjunto de direitos e deveres significativos que têm consequências importantes para a sociedade, que implicam consciência e responsabilidade: podemos ser presos e julgados em tribunal como adultos, podemos casar, podemos trabalhar e descontar para o Estado. Em qualquer um destes exemplos estão impostas obrigações tão sérias como as que estão associadas ao voto.

2º argumento:

Ao iniciar-se, através do voto, uma participação mais jovem dos cidadãos da democracia, iria ser estimulado o seu envolvimento no sistema democrático e na sociedade prevenindo o abstencionismo, que é cada vez mais elevado, e promovendo a civilidade, o sentimento de pertença e de integração social.

3º argumento:

Ao constituir-se como direito a partir dos 16 anos o sufrágio seria uma forma de reforçar a liberdade civil dos cidadãos; a liberdade de participar, exprimir a sua opinião, o direito de ser ouvido. Ver reconhecida esta liberdade e este direito é também uma questão de justiça no sentido em que a partir desta idade já somos membros plenos da sociedade.

4º argumento:

A partir dos 16 anos qualquer cidadão tem capacidade para votar, para fazer uma opção política, para escolher uma orientação para a sua sociedade, para criticar as diferentes posições politicas e fundamentar uma decisão de voto. Haverá gente inconsciente aos 16 anos, certamente; mas tal ocorre em todas as idades.


Objecções possíveis:

a) Se considera que um jovem de 16 anos ainda não tem maturidade para votar.

b) Se considera que um jovem de 16 anos não tenha conhecimento para intervir politicamente com qualidade.


No entanto:

a) Refutação do argumento:

Um jovem com 16 anos já tem muitos conhecimentos e experiência de vida; está na fase final do secundário já estudou muitas disciplinas, já fez muitos testes; já teve de fazer escolhas e opções de áreas de estudo. Será que votar exige mais conhecimentos do que estes que já foram adquiridos?

  • Conclusão: parágrafo breve - 4-5 linhas - de fecho lógico do que foi afirmado/defendido/ exemplificado
(não repertir argumenos;
não aduzir novos argumentos ou exemplos; 
não introduzir informação nova e/ou não decorrente do que se defendeu ao longo do texto)


Ana Catarina Luís
André Santos
Maryline Matos

04 junho 2012

Revisões: Formação de palavras

Para os alunos do 12º A que o solicitaram, aqui fica a revisão destas matérias.


Composição:

Definimos dois tipos:
  • a composição morfológica: formamos palavras através da associação de dois radicais (habitualmente de origem grega e/ou latina) ou de um radical e uma palavra. Esta associação faz-se, normalmente, através de uma vogal de ligação (psic+o+logia = psicologia; luso+descendente = lusodescendente).
  •  
  • composição morfossintática: a formação das palavras faz-se através da associação de duas ou mais palavras:
Ex: surdo-mudo; quebra-mar; homem-rã; fim de semana.
Vejamos alguns exemplos de composição morfológica:

Palavra
Descrição
Flexão
Exemplos
Psicotata
Radical + Radical
Só o 2.º elemento flexiona em número
o/a/(s) psicopata(s)
Infodependente
Radical + palavra
Só o 2.º elemento flexiona em número
o/a/ (s) infodependente(s)
Neurofisiologista
Radical + radical + radical
Só o 2.º elemento flexiona em número
o/a/(s) neurofisiologista (s)


Se ambas as palavras tiverem igual contributo para o valor semântico do composto, o contraste em género e a flexão em número atingem os dois elementos (exemplos 1 e 3 do quadro).

Por outro lado, se o valor semântico da palavra da esquerda for modificado pela da direita, o contraste de género e a flexão em número afetam apenas a palavra da esquerda (exemplos 2 e 4).

Ainda no caso de o composto ser constituído por uma forma verbal na 3ª pessoa do singular e por um nome, apenas flexiona o nome (exemplo 5).

Finalmente, não se verifica contraste em género nem flexão em número nos compostos constituídos verbo na 3ª pessoa e nome no plural (exemplo 6).

Vejamos alguns exemplos de composição morfossintática:
Palavra
Descrição
Flexão
Exemplos
1. Trabalhador-estudante
Nome + nome
Flexionam ambas as palavras em género e número.

Ele/ela /eles/elas é /são trabalhador(es) (a) (as) estudante(s).
2. Bomba-relógio
Nome + nome
Apenas a 1ª palavra flexiona em número.
Ele desarmadilhou duas bombas-relógio.
3. Surdo-mudo
Adjetivo + adjetivo
Flexionam ambas as palavras em género e número.
Ele/ela /eles/elas é /são surdo/os /as mudo(a) (os) (as).
4. Fim de semana
Nome + prep + nome
Apenas a 1ª palavra flexiona em número.
Passo os fins de semana a trabalhar.
5. Picapau
Verbo + nome
Apenas a 2ª palavra varia em número.
Hoje, raramente se veem picapaus.
6. Saca-rolhas
Verbo + nome
Nenhuma das palavras flexiona.
Comprei dois saca-rolhas.


Fonte: Português, 8º ano, Consultório CEL (Conhecimento Explícito da Língua, em http://manualescolar2.0.sebenta.pt/projectos/lp8/posts/741, consultado em 2 de junho de 2012.

Revisões

Para ajudar os alunos que queriam perceber melhor como identificar as marcas linguísticas associadas a cada ato ilocutório, cá vai um exercíco (agora com um quadro e tudo...).

Após a realização, confirmar na gramática ou, comigo, em aula.

Atos ilocutórios
Um ato ilocutório é um ato discursivo integrado num determinado contexto comunicacional.
Os objetivos, os intervenientes e os contextos comunicacionais são variáveis, o que justifica existência de diferentes atos ilocutórios. O locutor, o interlocutor, o espaço, o tempo e o universo de referência condicionam a natureza dos atos de fala.

Os atos ilocutórios podem ser diretos ou indiretos. No primeiro caso, o locutor demonstra a intenção de levar o interlocutor a agir. No segundo, o locutor procura formas menos evidentes de tentar fazer com que o seu interlocutor realize uma ação, ou seja, o objetivo a atingir não se prende com o significado literal e imediato da frase.
É o que sucede, por exemplo, no caso das perguntas realizadas com intuitos diretivos - «Não acha que está aqui muito frio?» (em vez de - «Feche a janela!»).

1.    Estabelece as correspondências corretas entre os atos ilocutórios, as suas marcas linguísticas e os exemplos.

Atos ilocutórios
Marcas linguísticas
Exemplos
1. Assertivos
O locutor encontra-se
implicado na verdade do
enunciado, podendo este
ser submetido ao teste do verdadeiro ou falso.
A. – Tempo verbal do futuro do indicativo ou de valor equivalente;
– Verbos compromissivos como com-prometer-se, garantir, jurar, prometer, etc.;
– Expressões que manifestem o comprometimento do locutor.
a.
Amaro abrira abruptamente a porta do escritório, fechou-a de repelão, e sem mesmo dar os bons-dias ao colega, exclamou:
– A rapariga está grávida!
Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro
2. Diretivos
O locutor pretende fazer
com que o interlocutor
pratique uma determinada ação.
B. – Verbos declarativos como concluir, declarar, dizer, afirmar, etc.;
– Verbos de atividade mental como achar, considerar, acreditar, admitir, entender;
– Expressões modalizadas como considerar necessário, possível, certo, ridículo, etc.
b.
– Olha que espiga! – ponderou o
cónego atordoado.
Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro
3. Expressivos
Expressam sentimentos
ou emoções do locutor
relativa mente ao estado
de coisas a que se refere o enunciado.
C. – Verbo declarativo declarar.
c.
Nunca te metas nestas coisas,
Manuel! Haja o que houver, nunca te
metas com eles.
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há luar!
4. Compromissivos
O locutor compromete-se a realizar uma ação futura.
D. – Frases imperativas ou seus substitutos quer no conjuntivo quer no indicativo;
– Verbos diretivos como exigir, implorar, mandar, ordenar, proibir…
– Frases interrogativas simples;
– Frases complexas cujo verbo superior é um verbo de inquirição do tipo perguntar, inquirir, interrogar, investigar;
– Frases interrogativas contendo uma negativa com valor positivo.
d.
Eu, cavaleiro de primeiro grau,
declaro por minha honra que tomei
parte com animus conspirandi em
reuniões de charuto e mascarilha com vista à transformação da ordem do reino.
José Cardoso Pires, A República dos Corvos
5. Declarativos
Expressam verbalmente a
realidade por eles próprios
criada, relacionando
o locutor com o valor de verdade do enunciado.
E. – Verbos expressivos como agradecer,
congratular-se, deplorar, lamentar,
repudiar, etc.;
– Verbos modalizados por advérbios como
achar bem ou achar mal, etc.;
– Expressões exclamativas.
e.
Prometo, pela minha palavra real,
que farei construir um convento de
franciscanos na vila de Mafra.
José Saramago, Memorial do Convento

 Exercício elaborado com base em MATEUS, Maria Helena Mira, et alii, 2003.

Gramática da Língua Portuguesa. Lisboa: Caminho (6.a edição)

01 junho 2012

Revisões: Mensagem e Os Lusíadas

De acordo com o combinado, e para quem não tinha passado - ou já esqueceu -  os apontamentos do PPT trabalhado no 1º período, aqui fica a (re)lembrança:


A Mensagem é um livro de 44 poemas breves, escritos em várias épocas, que, no seu conjunto, constituem um longo poema. Apresenta uma leitura simbólica e mítica da História de Portugal. Apesar de partir de um núcleo histórico concreto, e de personagens com existência histórica, o que interessa ao poeta, o que une todos esses “heróis” (ganhadores ou perdedores), é o seu lado ideal e mítico, o cumprimento de uma missão maior a que foram chamados, a “febre d’Além” (ver D. Fernando, Infante de Portugal), a grandeza de alma insatisfeita, o sonho que eleva a humanidade acima da “besta sadia”. A matéria literária é histórica. A leitura dela feita é lírica, simbólica e mítica.

 Na Mensagem, Portugal é um instrumento de Deus; os heróis cumprem um destino que os ultrapassa: “Foi Deus a alma e o corpo Portugal”. (F.P.)  “Deus ou os deuses talharam o destino dos povos.” (J. Prado Coelho)



A Mensagem é um “elogio do Português, desvendador e dominador de mundos”, não enquanto poderio terreno, mas enquanto ideal, procura de Absoluto. Por isso o Império Português do Século XVI foi apenas um “obscuro e carnal arremedo” desse outro Império Espiritual por achar:   Cumpriu-se o Mar, e o império se desfez./Senhor, falta cumprir-se Portugal!” . Pessoa exalta não o Império terreno, mas o Projecto, a Ideia condutora, o imaterial, o sonho, o mito, a fome de impossível, a loucura enquanto arrojo, quimera.

“Depois da conquista dos mares deve vir a conquista das almas.”



Também Camões e Os Lusíadas apresentam uma visão mística e de missão da História de Portugal. D. Sebastião n’Os Lusíadas é “Maravilha fatal da nossa idade, / Dada ao mundo por Deus, que todo o mande, /Para do mundo a Deus dar parte grande” (para alargar a Cristandade). D. Sebastião é o símbolo do nosso messianismo – promessa, esperança, salvação, renovação. Mas muito do que em Os Lusíadas é acção/história, na Mensagem é já só ideal / mito. Do destinatário real de Os Lusíadas (D. Sebastião, rei de Portugal em 1572) Camões espera acção concreta ligada ao ideal de cruzada, num tempo específico, face a problemas, situações e vícios enumerados ao longo da obra, nos finais dos cantos. Para Pessoa, a evocação da figura é do âmbito do símbolo, do mito. Pessoa no-lo afirma: 

«O sebastianismo, fundamentalmente, o que é? É um movimento religioso, feito em volta duma figura nacional no sentido dum mito. / No sentido simbólico D. Sebastião é Portugal: Portugal que perdeu a grandeza com D. Sebastião, e que só voltará a tê-la com o regresso dele, regresso simbólico. (…) morto D. Sebastião, o corpo, se conseguirmos evocar qualquer coisa em nós que se assemelhe à forma do esforço de D. Sebastião, ipso facto o teremos evocado (…) Por isso quando houverdes criado uma coisa cuja forma seja idêntica à do pensamento de D. Sebastião, D. Sebastião terá regressado.»

Fernando Pessoa, in Sobre Portugal, ed. Ática (sublinhado, meu)



Quanto à estrutura Os Lusíadas são pela forma e pela substância (exaltação da acção humana) uma epopeia clássica, a narração onde se entrelaçam a Viagem de Vasco da Gama, as intrigas dos Deuses e a História de Portugal.

A estrutura da Mensagem tem por base uma teoria cíclica – a das Idades;
A obra está dividida em três partes, pois olha a história da pátria como o mito de um nascimento (Brasão), vida (Mar Português) e morte de um mundo, seguida dum renascimento (O Encoberto): “Ó Portugal, hoje és nevoeiro... / É a Hora ! “   (“Nevoeiro”) . A primeira e a terceira parte estão subdivididas: Brasão subdivide-se de acordo com os símbolos da bandeira nacional - «Os  Campos», «Os Castelos», «As Quinas», «A Coroa» e «O Timbre»; a 3ª apresenta «Os Símbolos», «Os Avisos» e «Os Tempos». Todas estas divisões e designações revelam um sentido emblemático, ocultista; mais interpretativo e espiritual que narrativo/épico (como acontece em Os Lusíadas). Pessoa vê símbolos em tudo.